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Venda de Léo Duarte - a 6ª desde 2017 -, expõe valorização dos garotos do Ninho. Negociações geram R$ 441 mi, e clube fica com pouco mais de R$ 300 mi. Reinier é a próxima atração


Vinicius Jr., Lucas Paquetá, Jean Lucas, Jorge, Felipe Vizeu e agora Léo Duarte...

Craque o Flamengo faz em casa... e vende. Mas vende bem. A negociação de Léo Duarte com o Milan, da Itália, engrossou a lista da saída de talentos e entrada de cifras milionárias nos cofres rubro-negros. Em dois anos e meio, as vendas de jovens formados no Ninho do Urubu geraram quase meio bilhão e alavancaram as receitas do clube.

Somadas com as cotações da época, as transferência dos seis jogadores gerou R$ 441 milhões. Na maioria dos casos, no entanto, os valores reais foram ainda maiores, uma vez que as parcelas chegavam mais recheadas devido à constante desvalorização da moeda brasileira.
Foi assim com Paquetá, Vinicius, Vizeu... Nem toda grana, porém, entrou nos cofres do clube, uma vez que, na maioria dos casos, investidores tinham uma parte dos direitos econômicos das revelações. Com os valores da cotação da época da venda, o Fla faturou pouco mais de R$ 300 milhões.

VENDAS DE JOGADORES REVELADOS NO FLAMENGO DESDE 2017
JOGADOR
ANO
VALOR EM EUROS
VALOR EM REAIS (COTAÇÃO DA ÉPOCA)
PARTE DO FLAMENGO
COMPRADOR
Vinicius Junior
2017
€ 45 milhões
R$ 164 milhões
66% (cerca de R$ 110 mi)
Real Madrid
Lucas Paquetá
2018
€ 35 milhões
R$ 146 milhões
70% (cerca de R$ 102 mi)
Milan
Léo Duarte
2019
€ 10 mihlões
R$ 43 milhões
70% (cerca de R$ 31 mi)
Milan
Jean Lucas
2019
€ 8 milhões
R$ 34 milhões
80% (cerca de R$ 25 mi)
Lyon
Jorge
2017
€ 9 milhões
R$ 29,8 milhões
70% (cerca de R$ 21 mi)
Monaco
Felipe Vizeu
2018
US$ 6,5 milhões
R$ 20 milhões
60% (cerca de R$ 12 mi)
Udinese

Fonte: GloboEsporte.com 

E demonstrativos financeiros do Flamengo
O Flamengo, que nas últimas décadas viu safras inteiras saírem por trocados - por vezes até de graça -, hoje é o clube que melhor vende no Brasil. Reflexo da mudança de perfil da base rubro-negra e da administração do clube como um todo.

Obviamente as vendas levantam o questionamento: o Flamengo forma bons jogadores para brilharem em outros clubes? Vinicius Junior, por exemplo, ficou apenas um ano no profissional antes de seguir para o Real Madrid, da Espanha; a venda de Paquetá também para o Milan gerou até um inquérito interno; Reinier é cobiçado na Europa sem ao menos ter estreado... Reflexos de um mercado voraz, que busca craques cada vez mais jovens. E o dinheiro está entrando.

Trabalho a longo prazo

O Flamengo hoje colhe os frutos de uma base atrativa e estruturada, mas a mudança não foi da noite para o dia. Hoje gerente de transição e diretor executivo da base por muitos anos, Carlos Noval participou da reformulação na última década. Processo que rendeu craques, milhões e também títulos. Foram três Copas São Paulo de Juniores desde 2011, além de mais de uma centena de troféus, nacionais e internacionais.

- Duas questões foram fundamentais para atingirmos nossos objetivos: a construção de uma diretriz metodológica e modelo de jogo consolidados, e a escolha de profissionais de forma assertiva em suas respectivas funções, gerando o ambiente propício para o desenvolvimento aos atletas e do trabalho.

- A consequência desse entendimento foi a qualificação do nosso processo formativo que sempre será o nosso principal objetivo, participações de destaques em competições de expressões nacionais e internacionais, aumentando de forma significativa o número de atletas convocados para as seleções de base. Gerando assim, um expressivo retorno técnico e financeiro ao clube. O respaldo gerado pelo clube na continuidade do trabalho ao longo desses anos foi fundamental para atingirmos o patamar que nos encontramos hoje no mercado - analisou Noval.

O dirigente foi peça-chave na formação de alguns craques. Vinicius Jr. o agradeceu em sua despedida e fez o dirigente chorar. Lucas Paquetá esteve para ser dispensado por três vezes, mas Noval o segurou no Flamengo. Léo Duarte foi outro achado do diretor, que o levou para o clube e bancou sua permanência quando ele esteve próximo de ser emprestado ao Juventude.

- Tenho que agradecer o Noval. É um cara que me ajudou demais aqui. Não só eu, mas a todos os meninos da minha geração, como Jorge, Paquetá e Vizeu – disse Léo Duarte, em vídeo de despedida publicado pelo perfil do Flamengo no Twitter.

Hoje, além de render frutos, a base do Flamengo recebe investimentos graúdos, a ponto de captar atletas de outros clubes brasileiros e até do exterior.

Há dez anos, não havia um orçamento para a base. Com a reformulação do departamento, ainda na gestão de Patrícia Amorim, o clube passou a destinar cerca de R$ 4 milhões por ano para a formação de jogadores. Hoje, as categorias de base têm orçamento de R$ 17 milhões anuais.

- Uma das grandes transformações foi identificar e reforçar o DNA de formação de grandes atletas indo de encontro ao lema “craque o flamengo faz em casa”. Para isso, buscamos qualificar a estrutura do CT, oferecendo aos atletas e demais profissionais condições adequadas para o desenvolvimento de um trabalho de excelência ao longo desses anos - comentou Noval.

Vinicius impulsiona patamar das crias


Negociado com a Udinese, da Itália, no fim de 2015 por € 4 milhões – o Flamengo recebeu cerca de R$ 8 milhões por 50% -, Samir inaugurou uma nova era de vendas da base rubro-negra. Foi com Vinicius Junior, no entanto, que as crias do Ninho entraram em outro patamar.

Vendido ao Real Madrid em 2017 por € 45 milhões (cerca de R$ 164 milhões), com apenas 16 anos, antes mesmo de estrear pelos profissionais, o atacante é até hoje a maior venda da história do Flamengo – e uma das maiores do futebol brasileiro.

- O Vinicius teve muitas propostas para deixar o Flamengo antes do primeiro contrato profissional, mas, em momento algum, pensou ou esteve perto de sair. Mesmo nas vezes em que a direção do clube não cumpriu o que prometeu. Quando o Noval chegou, a situação mudou. Ele sempre foi muito correto e executou o combinado, o que fez a confiança crescer. No fim, tanto o Flamengo quanto o Vinicius conseguiram uma transferência excepcional graças a todo esse trabalho das duas partes - recorda o empresário e tio de Vinicius, Ulysses Leão.

O sucesso de Vinicius na Europa despertou a atenção para a base rubro-negra, e as crias do Ninho do Urubu hoje são vistas com outros olhos na Europa. O Cruzeiro, por exemplo, colheu frutos por muito anos na década de 90 pelo sucesso de Ronaldo, fruto do clube. Hoje, o Flamengo que tem uma espécie de selo informal de qualidade.

Fábrica aberta: Reinier, o próximo da fila



O sucesso das categorias de base do Flamengo não é obra do acaso devido a uma boa geração, por exemplo. Com estrutura e investimento, saem jogadores, mas a fábrica segue aberta. Reinier, com multa de € 70 milhões (aproximadamente R$ 295 milhões), é o expoente e o próximo da fila.

Relacionado pela primeira vez no clássico contra o Botafogo, o jovem é hoje considerado o melhor jogador sub-17 do mundo e tudo indica que muito em breve seguirá o caminho de Vinicius Jr. & Cia. e cruzará o oceano para jogar na Europa. Não sem antes deixar um bom dinheiro nos cofres do Flamengo.

O jovem é observado de perto por alguns dos maiores clubes do mundo e dificilmente permanecerá no Flamengo por muito tempo. Recentemente, o Everton, da Inglaterra, sinalizou com oferta na casa de € 40 milhões (cerca de R$ 170 milhões, na atual cotação), entre bônus e variáveis. A direção rubro-negra, no entanto, nega qualquer proposta oficial pela joia, que completará 18 anos em janeiro e tem contrato até dezembro do próximo ano.

Safras antigas


O torcedor pode até ficar chateado com a partida das revelações, mas não é de hoje que jogadores formados na Gávea saem para brilhar em outros clubes. Nas últimas décadas, o Fla se desfez de gerações brilhantes e pouco lucrou. Julio César, Juan, Adriano, Felipe Melo... todos atletas de Copa do Mundo, com história na Europa, que renderam muito pouco financeiramente ao Rubro-Negro.
Anos depois, em 2008, Renato Augusto foi negociado com o Bayer Leverkusen, da Alemanha, por € 10 milhões, mas o Flamengo ficou com € 6 milhões, uma vez que havia vendido 40% dos direitos econômicos do para um grupo de investidores. Na época, o clube recebeu cerca de R$ 15 milhões – a maior venda da história do clube até a negociação de Jorge, em 2017 (cerca de R$ 29,8 milhões).

Outra grande safra que ficou conhecida por ser mal aproveitada foi a do início dos anos 90. Marcelinho Carioca, Djalminha, Paulo Nunes, Marquinhos, Júnior Baiano... todos negociados, por valores baixos até mesmo para a época, com clubes brasileiros. Na ocasião, além da crise financeira, a política do clube era apostar em jogadores badalados, com grife. A base ficou de lado.

Fonte: Globo Esporte

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